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quarta-feira, 7 de março de 2012

Biografia vai fundo na importância do Pink Floyd para a música mundial


Roger Waters (à frente) assume as rédeas do grupo em algumas fases e até demite o tecladista
 Carlos Eduardo Oliveira - ESPECIAL PARA O ESTADO



Admiradores do Pink Floyd e de sua perene obra-prima têm muito com que se divertir. No fim de março, Roger Waters, baixista, compositor e ex-líder do grupo, traz ao País a turnê de The Wall, chance única de conferir a exibição completa da lendária ópera rock, que terá shows em Porto Alegre, Rio e São Paulo. Além disso, chegam às lojas esta semana os boxes The Wall - Experience Edition, e The Wall - Immersion Edition (este, só importado), parte final do projeto Why Pink Floyd?. Juntos, resgatam uma quase imensurável memorabilia (não apenas musical) de um dos álbuns mais seminais da história do pop. Ao mesmo tempo, sai no Brasil Nos Bastidores do Pink Floyd (Editora Évora, R$ 59,90), biografia do grupo assinada pelo crítico inglês Mark Blake, que lança luz na história da banda como poucas fizeram até aqui.







Editor-chefe de edições especiais das revistas Q e Mojo, Blake já assinou biografias de Bob Dylan, Queen e Keith Richards, além de um volume sobre a história do punk rock. A chama pelo Pink Floyd, ele diz, foi acesa a partir de um show no Earls Court de Londres, em 1980. Lançada originalmente em 2007, a obra até peca por certo formalismo, mas Blake se sai bem ao costurar apuração e processo investigativo espartanos em texto de bom ritmo. Outro mérito seu foi esquadrinhar exaustivamente o início da banda. Por conta disso, a primeira parte debruça-se sobre a formação do grupo, no fim dos anos 60. Nas entrelinhas das entrevistas com um sem-número de amigos de infância, parentes e ex-colaboradores dos tempos em Cambridge, emerge um Syd Barret (1946-2006, fundador e líder do grupo em sua primeira fase) comparável ao Dorian Gray de (Oscar) Wilde, tamanho o magnetismo de sua estranha personalidade. Na outra ponta da tabela, no auge do sucesso, Blake desnuda um Roger Waters duro, irascível e pouco tolerante com meio mundo, capaz de evidenciar seu completo desprezo à imprensa para depois mandar cartas de próprio punho a jornalistas em que se desculpa por tratar mal "os membros de sua horrível profissão".
Fica claro ao longo da leitura que as antigas feridas que impedem um retorno do grupo provavelmente nunca cicatrizarão. Nos anos 80, durante a batalha legal pelo nome da banda, David Gilmour (guitarra), Rick Wright (teclados) e Nick Mason (bateria) saíram vitoriosos; Waters levou os devidos direitos por The Wall, desde então associado umbilicalmente a seu nome. "Nas últimas décadas, o Pink Floyd tem sido o bebê de David", ironizou o baixista. Em 2005, no evento Live8, em Londres, os quatro músicos remanescentes dividiram um mesmo palco após hiato de 24 anos. O set foi curto, apenas quatro canções.


Ainda assim, os bastidores foram tensos - ressentimentos e a queda de braços entre Waters e o guitarrista David Gilmour reapareceram, especialmente quando o primeiro quis executar os sucessos do grupo com os arranjos diferenciados que costuma fazer em seus shows solos. Gilmour contemporizou, dizendo que as pessoas esperavam ouvir as músicas exatamente em suas versões originais. E assim foi feito. Foram apenas 18 minutos. "Mas foi estranho e desconfortável", declararia a amigos, mais tarde.
Passagem das mais aguardadas, um dos highlights do livro é a fase das complicadíssimas gravações de The Wall, com a banda praticamente desfazendo-se no estúdio. Em meio ao clima carregado, e a contragosto dos demais, Waters assume as rédeas, a ponto de despedir o tecladista e cofundador Rick Wright para depois recontratá-lo como músico freelancer. Os poucos shows de The Wall quase levaram a banda à falência, gerando um rombo de perto de US$ 600 mil. Um promotor ofereceu US$ 2 milhões para shows no JFK Stadium, em Nova York, mas Waters recusou, com base em suas convicções de que os resultados artísticos de The Wall ao vivo eram decepcionantes. De acordo com Blake, este foi mais um fator a explicar o apagar das luzes.





Entrevista - Mark Blake - BIÓGRAFO DO PINK FLOYD
À altura de Beatles e Stones
Por e-mail, de Londres, onde mora, o jornalista Mark Blake comenta ao Estado o lançamento no Brasil de Nos Bastidores do Pink Floyd.
O que diferencia seu livro das muitas biografias?
Meu livro atualiza a história do Pink Floyd. Há nele uma infinidade de pessoas que nunca haviam sido entrevistadas antes para falar de sua relação com a banda.
Syd Barret emerge na obra como um dandy, cujo carisma influenciava todos ao seu re-dor, não?
Barrett era um jovem com um imenso e estranho carisma. Quando saiu da banda, inicialmente seus amigos acharam muito difícil continuar sem ele.
O que faz do legado do Pink Floyd tão influente hoje, se comparado aos demais grupos de sua geração?
É tão importante, mas não maior, que o dos Beatles e dos Rolling Stones. É verdade que nunca se tornou um monstro sagrado como esses, mas o que faz com que sucessivas novas gerações descubram o apelo de sua música é o fato de ela lidar com temas universais: medo de crescer, medo de envelhecer, sentimentos de não pertencimento, de ser um outsider. Esse tipo de assunto nunca sai de moda.
The Wall até o último tijolo. Música em profusão, e ainda filmes, documentários, livros de fotos, figurinhas e objetos customizados, como canecas e bolinhas de gude. Difícil imaginar um projeto que saciasse mais a sede de fãs de bolsos, digamos, confortáveis, do que Why Pink Floyd?. A festa começou em setembro de 2011, com a reedição de todo o catálogo do grupo em versões Discovery (remasterizadas) e edições digitais, acompanhados de álbuns de fotografia. Depois vieram a coletânea A Foot in The Door - The Best of Pink Floyd, e edições Experience (remasterizações + extras) e Immersion (discos remasterizados + extras + itens para colecionadores) dos clássicos Dark Side of The Moon e Wish You Were Here. Agora, o ciclo se fecha com o lançamento de The Wall, também em versões Experience e Immersion, lançados mundialmente esta semana. O primeiro, a R$ 89; o segundo, em versão apenas importada, a R$ 860 - com direito a uma infinidade de brindes.


As duas novas edições de The Wall somam nada menos que nove CDs e um DVD. Se por um lado as atuais remixagens elevam a qualidade sonora à estratosfera, difícil é separar o joio do trigo, entre incontáveis demos, esquetes de canções e versões inéditas. Por outro lado, esse cancioneiro revela o grupo em ebulição, em pleno processo criativo, lapidando suas crias até dar-lhes versões definitivas. Há também muito material ao vivo, quesito na qual a versão Immersion é generosa.


Fonte: www.estadao.com.br


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Do mosteiro ao picadeiro



FRANCESCA ANGIOLILLO

ENVIADA ESPECIAL A MILÃO

"Todas as perguntas possíveis já me foram feitas", diz Umberto Eco, após terminar o café, afundado numa poltrona da sala de visitas de sua casa, em Milão. A cigarrilha apagada, hábito de ex-fumante, pende de um lado da boca. "Só não me perguntam, sei lá, quais são os sete anões. Eu responderia que, quando tento me lembrar, sempre são seis."

Ao fundo, atrás de sua calva, vê-se, de um lado, uma coleção de conchas do mar, escrupulosamente organizadas; de outro, em atris, livros ilustrados do fim do século 19. São alguns dos originais de onde saíram as ilustrações de seu mais recente romance, "O Cemitério de Praga" [Record, trad. Joana Angélica D'Avila Melo, 480 págs, R$ 49,90].

O "Cemitério" foi recebido como a volta de um mestre ao gênero que o consagrou (após um romance nostálgico e de fundo autobiográfico, "A Misteriosa Chama da Rainha Loana"): uma trama de mistério, com crimes sangrentos e um protagonista que chega a ser comovente em sua pusilanimidade.

A entrevista tem por mote o lançamento do livro no Brasil mas também os 80 anos do escritor, nascido em 5 de janeiro de 1932, na piemontesa Alessandria, cuja fama vem dele e dos chapéus Borsalino. Em várias fotos para a imprensa, ele ostenta, com elegância algo zombeteira, um modelo negro da marca.

ROMANCE

Eco, o romancista, nasceu em 1980, após sobrevir-lhe o desejo de envenenar um monge: assim o escritor define o motor inicial de seu "O Nome da Rosa", best-seller de cifras milionárias, levado ao cinema em 1986 por Jean-Jacques Annaud, com Sean Connery e Christian Slater.

Àquela altura, o nome do professor italiano era já conhecido: foram muitos ensaios e títulos de teoria, da poética do escritor irlandês James Joyce ("Sou joyciano, não proustiano", diz, e exibe uma estante forrada de primeiras edições de "Ulysses" em diferentes idiomas) a análises da comunicação de massa (seu primeiro emprego pós-doutoramento em filosofia, em 1954, foi como editor de cultura num dos canais da rede televisiva RAI).

O manual "Como se Faz uma Tese" (Perspectiva), de 1977, ainda hoje é referência em cursos de ciências humanas. Mas o currículo de Eco faz com que ele frequente as bibliografias de muitas disciplinas que não só as de metodologia.

Umberto Eco navegou nas principais ondas que atravessaram os estudos da linguagem na segunda metade do século 20, do estruturalismo à teoria da recepção e à narratologia, parando às margens do pós-estruturalismo; cobriu da filosofia às tirinhas do Snoopy.

Cunhou expressões que se tornaram muletas do discurso universitário: atire a primeira pedra quem nunca disse que toda obra é "uma obra aberta" ou aquele que não juntou numa frase, dita à mesa do bar, "apocalípticos" e "integrados".

Foi a ficção, porém, que levou seu nome aos píncaros da cultura de massa.

No Brasil, "O Nome da Rosa" saiu em 1984 pela Nova Fronteira. A diretora editorial da casa, Leila Name, qualifica o livro como "uma bomba de sucesso" cujo efeito se multiplicou com o filme. Pelos registros da Nova Fronteira, a primeira investida de Eco na ficção teve no Brasil mais de 45 reimpressões e vendas acima de 600 mil exemplares.

Hoje, sua obra ficcional está toda na Record, que também lança alguns de seus livros de ensaios, como "A História da Beleza" e "A História da Feiura", almanaques eruditos de popularização da história cultural. Somados, seus títulos na casa venderam cerca de 550 mil exemplares ""91 mil deles de "O Cemitério de Praga".

Sergio Machado, presidente do Grupo Editorial Record, lembra a aquisição de "O Pêndulo de Foucault", segundo romance de Eco, em um leilão """via fax, telex""" comandado por seu pai, Alfredo Machado nos idos de 1988. A quantia acertada pelos direitos do segundo romance de Eco era uma cifra "inédita", US$ 130 mil (cerca de US$ 237 mil, em números corrigidos, o equivalente a R$ 420 mil).

"Na época, US$ 20 mil eram um absurdo", situa Machado. O editor se esquiva de fornecer valores atuais, mas diz que a soma paga por um livro de Eco "não anda para trás" e "vem subindo de forma consistente".

Dali em diante, tudo o que Eco escreveu atingiu números superlativos --inclusive o que menos vendeu na Record, "A Misteriosa Chama da Rainha Loana", com "apenas" 48 mil exemplares. "Este foi um pelo qual a gente pagou mais do que devia", diz o editor. "As pessoas querem mais do mesmo."

Eco não discorda. "Todos falam que escrevo romances eruditos, difíceis", diz o escritor. "Quando escrevi um fácil, que todo mundo entende, 'A Misteriosa Chama da Rainha Loana', foi o que menos vendeu. Dá para ver que sou um autor para masoquistas."

DAN BROWN

Muitos intelectuais, porém, não engolem a combinação de sucesso comercial e erudição de Eco, tachando-o de uma espécie de Dan Brown mais cultivado. O raciocínio é um velho conhecido no Brasil, onde serve para desqualificar, por exemplo, os romances de Chico Buarque: se o autor vende bem e é pop, mau sinal --só pode ser um picareta.

"Ter Umberto Eco nas estantes da sala é, para muitos, inclusive os que jamais leram uma linha desses livros, uma questão de 'status cult'", diz a professora Lucia Santaella, da PUC-SP, colega em semiótica de Eco, a quem tece "críticas até mesmo bastante severas". Para ela, o italiano é uma espécie de grife, que "compõe bem a pose dos pseudointelectuais que brilham nas grandes praças dos lançamentos do 'big show business'".

Um de seus detratores contumazes na Itália, o romano Alfonso Berardinelli, estrela da crítica italiana atual, diz --citando Kafka-- que Eco está no centro do mundo, onde se acumula toda a sua imundície, "a prodigiosa escória".

"Escrevi pelo menos quatro ou cinco artigos e ensaios contra Eco", rememora à Folha. "Não posso dizer nada de novo; Eco me aborrece faz tempo, e o que eu tinha a dizer já disse há 20 ou 30 anos. Fico maravilhado em ver como agrada", afirma o autor de "Da Poesia à Prosa" (Cosac Naify).

"Parece engraçado e brilhante, mas na realidade é um professor que não cessa de mesclar erudição e piadas com veia estudantil. E sem fazer rir. É quase uma ofensa à literatura italiana que ele seja seu autor mais notável."

Berardinelli diz ainda não conhecer nenhum escritor --"nem na Itália, nem fora"-- que goste mesmo de Eco. "Sua fama é puramente comercial. É um fenômeno de circo, um autor que impressiona professores de escola."

PICADEIRO

No meio do picadeiro pós-lançamento, Eco segue imperturbável: profere pausadamente um discurso que soa familiar, pois volta e meia as palavras se repetem em manifestações públicas e entrevistas.

Pudera: a vida literária muitas vezes rivaliza com a de um roqueiro, com cansativas turnês de lançamentos ("Voltei dos EUA com o ombro arruinado, depois de autografar 3.000 livros", conta) e solicitações para opinar publicamente sobre todo e qualquer fato relevante (menos sobre os sete anões).

Seu apartamento é uma grande biblioteca --são 30 mil volumes; outros 20 mil, estima, estão em sua casa de campo--, mas nada de labirintos compartimentados, apesar de o edifício ser um antigo hotel. À entrada, mapas antigos recebem o visitante; a sala é luminosa e ordenada, com móveis discretos e claros; nas paredes, arte contemporânea; pela janela vê-se a torre do castelo Sforzesco, famoso marco turístico milanês.

A antiga residência dos duques de Milão remonta à Idade Média, período dileto de Eco, que se doutorou pela Universidade de Turim em 1954 com uma tese sobre a questão estética em São Tomás de Aquino. Mas da fortaleza que foi, após múltiplos ataques e sucessivas reconstruções, praticamente nada de original resta.

"Os turistas vêm aqui ver o castelo, onde é tudo falso, e não vão a Brera, onde tem Rafaello, o Cristo de Mantegna, Piero Della Francesca", lamenta o escritor.

FALSÁRIO

O falso e o verdadeiro são um tópico da obra de Eco. Simone Simonini, o protagonista de "O Cemitério de Praga", é um falsário. Ou melhor, "o" falsário: Eco atribuiu a ele os grandes crimes contra a verdade que marcariam a virada para o século 20 e, mais que todos, os apócrifos "Protocolos dos Sábios de Sião", conjunto de escritos antissemitas que teriam servido a Hitler para a fundamentação do nazismo.

"Havendo-me ocupado de problemas de linguagem e comunicação desde 1975, escrevi que o que caracteriza toda forma de signo e de linguagem humana é a possibilidade de mentir. Um cão não mente jamais. Quando late, é porque tem alguém lá fora: nunca aconteceu de um cão latir para que se pense que há alguém lá fora, sem que haja --o homem sim."

"O problema da mentira implica o problema da falsificação. Entre as falsificações mais trágicas, eis os 'Protocolos dos Sábios de Sião', aos quais dediquei vários escritos. Acho que fiz também algumas descobertas ""como a de que trata o romance, que uma das fontes era 'Joseph Balsamo', o livro de Dumas."

O romance de Alexandre Dumas, pai, de 1849, se inicia com uma cena em que maçons entronizam o protagonista em sua seita secreta. A descrição teria inspirado a conspiração de rabinos dos "Protocolos", forjada no cemitério judaico da capital tcheca, que se teriam congregado para tramar a dominação do mundo.

O "documento" (que difama os semitas "num patchwork contraditório que não se poderia levar a sério, mas que foi muito levado a sério") justificaria o ódio aos judeus e seu extermínio preventivo.

"Ninguém sabe como surgem os 'Protocolos': como nasceram, quem os fez, em quantas fases. Por isso fiquei livre para atribuir tudo a Simonini", diz. E explica que Simonini é o único personagem fictício no romance, um "feuilleton" oitocentista.

Ele frisa, porém que, Simonini, apesar de inventado, "é mais verdadeiro que os demais".

"Eu estava sempre pensando em pessoas que conhecemos, falsários, jornalistas vendidos, que sabemos quem são, até o nome e o sobrenome. Minha ambição seria que os leitores usassem o livro como um guia para visitar o mundo dizendo 'lá vai um Simonini'."

Eco arrisca uma leitura psicológica das motivações para a obsessão central de Simonini, que é o ódio aos judeus fomentado nele pelo avô desde a infância.

"Descobri que algumas pessoas acabam odiando alguém porque lhe fizeram mal ""veja bem, não odeio alguém porque alguém me fez mal, mas porque eu lhe fiz mal e depois o odeio. Mas por quê? Porque tento esquecer que eu sou o culpado e tento me convencer de que ele merecia meu ódio."

E garante: "Aconteceu comigo também: gente que aprontou comigo depois escreveu artigos contra mim. Mas entendi que tinham sido desrespeitosos comigo e depois precisavam se justificar".

Como reza o título da mais recente coletânea de ensaios de Eco --o ainda inédito em português "Costruire il Nemico" (2011), no qual se reconhecem temas e aspectos de "O Cemitério de Praga": é preciso construir o inimigo.

CRÍTICA

Eco diz "desconfiar muito da chamada crítica militante, a que se faz nos jornais, em comparação com a crítica acadêmica".

"Antes, quando saía um livro, o diretor do jornal dava seis meses ao crítico para ler; não havia necessidade de falar dele no dia seguinte. Hoje o crítico lê sempre numa situação de pressa e fica sujeito à estação, à dor de cabeça, ao que comeu na noite anterior. Se tivesse tido seis meses, comendo cada dia algo diferente, a sua leitura seria mais equilibrada."

E, como que a precaver-se de um ataque, emenda: "Note-se que eu acho desequilibradas não só as críticas que falam mal de meus livros mas também as que falam bem; elas às vezes me irritam porque falam bem pelos motivos errados."

Ele se irrita, também, quando inquirido se existem de fato "motivos errados". Parece condenado a relembrar que a obra é aberta, sim, mas que a interpretação tem limites: "A minha posição é muito clara: não sou um desconstrutivista que acha que um texto pode ter qualquer significado e que cada um pode ler como quiser. A liberdade da leitura é sempre determinada pelo objeto que está lá."

SEMIÓTICA

Se a semiótica foi devorada por outros estudos e devolvida sob outros avatares acadêmicos, a culpa é em parte de Eco.

Com rara clareza numa ciência em que a obscuridade volta e meia era confundida com argúcia, o italiano aplicou conceitos da ciência dos signos em estudos amplamente difundidos e citados (mesmo que muitas vezes de orelhada) fora do âmbito dos semioticistas, alastrando-os para campos mais diversos e talvez menos cerebrais.

Sempre evocada quando se pensa em semiótica, sua produção, porém, não empolga seus pares. Para Lucia Santaella, o pensamento que ele produziu é "miscigenado": "Ele mistura indiscriminadamente correntes, autores, teorias, criando uma salada complexa e difícil de entender."

A professora não nega a Eco o papel de "intelectual engajado", que, "alerta, marca sua posição acerca dos eventos", "como um jornalista bem dotado".

"Ele é escritor prolífico. Nos inúmeros congressos de que participei em que ele estava presente, comentava-se que ele escrevia até nos táxis. De fato, ele tem a veia dos gênios. Sua genialidade é a do discurso", concede Santaella.

PARÓDIA

O discurso de Eco tem um aspecto brincalhão que parece atiçar parte da crítica contra ele e marca, por exemplo, seus dois "Diários Mínimos", divertidas coletâneas de paródias e pastiches intelectuais, que em maio ganham nova edição [Record, trad. Joana Angélica D'Avila Melo e Sergio Duarte, 560 págs., R$ 62,90; leia trecho de "Nonita" à pág. 10].

A despeito do lado gracioso, Eco tem para sua literatura pretensões nada triviais. Seus diversos ensaios sobre a leitura, como "O Papel do Leitor", e livros sobre o tema, como "A Obra Aberta" e "Lector in Fabula", talvez sejam o retrato do que o Eco ensaísta esperava do Eco romancista: a forja, no mundo real, de um leitor modelo.

"Que leitor modelo eu queria quando estava escrevendo?", inquire retoricamente Eco em seu "Pós-escrito a 'O Nome da Rosa'" (Nova Fronteira, 1985). "Um cúmplice, claro, que entrasse no meu jogo. Eu queria tornar-me completamente medieval e viver na Idade Média como se esta fosse minha época (e vice-versa)", escreve.

"Mas, ao mesmo tempo, eu queria, com todas as minhas forças, que se desenhasse uma figura de leitor que, superada a iniciação, se tornasse meu prisioneiro, ou melhor, prisioneiro do texto e pensasse não querer nada mais do que aquilo que o texto lhe oferecia."

Questionado se o teórico transparece no romancista, ele nega. Diz que, se é que se encontram reflexos de sua teoria na sua ficção, é "porque evidentemente eu não sou esquizofrênico": "Até os ginecologistas se apaixonam. Sustento que você pode ter a teoria que for, mas, quando lê, se aquilo o cativa, ao menos numa primeira fase da leitura esquece a teoria."

Berardinelli, seu crítico mais feroz, faz uma descrição tão ácida quanto acertada do que é tentar definir a produção de Eco.

Assim diz, no texto "Umberto Eco e Seu Pêndulo", publicado aqui em edição da revista "Remate de Males" organizada pela professora Maria Betânia Amoroso no primeiro semestre de 2005:

"Toda vez que se cai na armadilha de seguir enumerativamente a vertiginosa pluralidade da mente de Eco, se acaba por ter que desistir derrotado: estamos frente ao inesgotável [...]. Se eu também me pusesse a enumerar tudo aquilo que ele enumera não faria nada mais do que lhe fazer eco."



Fonte: Folha de SP

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Coleção de Gilberto Chateaubriand vira livro

Roberto Conduru organizou o primeiro dos três livros que registram das maiores coleções de arte do país, a de Gilberto Chateaubriand, mantida no MAM-RJ.
Romulo Fialdini/Divulgação
"O Parque Municipal" (1947), de Alberto da Veiga Guinard
"O Parque Municipal" (1947), de Alberto da Veiga Guinard
"Coleção Gilberto Chateaubriand" foi editado pela Berléu e Francisco Alves, tem 252 páginas e custa R$ 130.
A edição traz obras produzidas entre 1920 e 1950, fotografadas por Romulo e Fialdini, com trabalhos de Guignard, Anita Malfatti, Vieira da Silva, Pancetti e Iberê Camargo.
Os volumes relativos às décadas de 60 a 80 e 90 e 2000 devem sair ainda neste ano.






Fonte: Folha de SP

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Pierre Verger é biografado para crianças

GUILHERME BRENDLER
DE SÃO PAULO



Angela Lühning conheceu Pierre Verger (1902-1996) em um terreiro de candomblé, em 1984. Pouco depois, os dois se tornaram vizinhos em Salvador.
Zélia Gattai/Fundação Casa de Jorge Amado
Pierre Verger, Jorge Amado e Carybé, na Bahia
Pierre Verger, Jorge Amado e Carybé, na Bahia
Da amizade entre a autora e professora de música da UFBA (nascida na Alemanha) e o antropólogo e fotógrafo francês resultou a biografia para crianças "Fotografando Verger" (60 págs., R$ 34), que sai pela coleção Memória e História, da Companhia das Letras.
"A ideia do livro surgiu como complemento ao trabalho desenvolvido com as crianças no espaço cultural da Fundação Pierre Verger", conta Angela, por telefone, de Salvador.
Ela diz que "os jovens da comunidade só ouviam falar de Verger, mas não sabiam a história dele. Tínhamos dificuldades de contar a vida dele às crianças porque a única bibliografia existente era acadêmica".
CONSTRUÇÃO EM CONJUNTO
Angela queria que as crianças participassem da construção do livro. Além da biografia escrita pela autora, a ideia era que o livro tivesse textos produzidos pelas crianças do projeto da fundação. Os meninos e meninas produziram haicais, acrósticos e crônicas depois de terem contato com fotos e ouvirem histórias sobre Verger.
"As crônicas eram inspiradas no estilo que Moacyr Scliar (1937-2011) empregava nos seus textos publicados na Folha, baseados em reportagens do próprio jornal", diz Angela.
Como a obra ficou maior do que se esperava, a editora publicou o texto de Angela Lühning, e o material feito pelos jovens está no guia do professor, que a Companhia das Letras disponibiliza na internet
O livro é ilustrado por imagens capturadas por Verger e aquarelas de Maria Eugênia.

Fonte: Folha de SP

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

"Seu Corpo da Obra", de Eliasson, ganha livro

A exposição "Seu Corpo da Obra", que o dinamarquês Olafur Eliasson fez para o 17º Festival Internacional de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil ganharam as páginas do livro homônimo (Associação Cultural Videobrasil / Edições Sesc, 488 págs, R$ 60).
Divulgação
Instalação "Seu Planeta Compartilhado", de Olafur Eliasson
Instalação "Seu Planeta Compartilhado", de Olafur Eliasson


A edição bilíngue apresenta fotos de obras de Eliasson, feitas por fotográfos como o cineasta Karim Aïnouz.
A obra traz também artigos de Lisette Lagnado, Lina Bo Bardi e Guilherme Wisnik, além de uma entrevista do curador Jochen Volz com o artista.
É possível conferir os trabalhos de Eliasson até o dia 29 de janeiro nas sedes Belenzinho e Pompeia do Sesc. Confira programação no site do Sesc.



Fonte: Folha de SP

sábado, 23 de julho de 2011

Minha gente, vamos ler tá? Taí ó, 305 livros grátis.

Clique no título para ler ou imprimir


1. A Divina Comédia -Dante Alighieri
2. A Comédia dos Erros -William Shakespeare
3. Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
4. Dom Casmurro -Machado de Assis
5. Cancioneiro -Fernando Pessoa
6. Romeu e Julieta -William Shakespeare
7. A Cartomante -Machado de Assis
8. Mensagem -Fernando Pessoa
9. A Carteira -Machado de Assis
10. A Megera Domada -William Shakespeare
11. A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare
12. Sonho de Uma Noite de Verão -William Shakespeare
13. O Eu profundo e os outros Eus. -Fernando Pessoa
14. Dom Casmurro -Machado de Assis
15. Do Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
16. Poesias Inéditas -Fernando Pessoa
17. Tudo Bem Quando Termina Bem -William Shakespeare
18. A Carta -Pero Vaz de Caminha
19. A Igreja do Diabo -Machado de Assis
20. Macbeth -William Shakespeare
21. Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago
22. A Tempestade -William Shakespeare
23. O pastor amoroso -Fernando Pessoa
24. A Cidade e as Serras -José Maria Eça de Queirós
25. Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
26. A Carta de Pero Vaz de Caminha -Pero Vaz de Caminha
27. O Guardador de Rebanhos -Fernando Pessoa
28. O Mercador de Veneza -William Shakespeare
29. A Esfinge sem Segredo -Oscar Wilde
30. Trabalhos de Amor Perdidos -William Shakespeare
31. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
32. A Mão e a Luva -Machado de Assis
33. Arte Poética -Aristóteles
34. Conto de Inverno -William Shakespeare
35. Otelo, O Mouro de Veneza -William Shakespeare
36. Antônio e Cleópatra -William Shakespeare
37. Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
38. A Metamorfose -Franz Kafka
39. A Cartomante -Machado de Assis
40. Rei Lear -William Shakespeare
41. A Causa Secreta -Machado de Assis
42. Poemas Traduzidos -Fernando Pessoa
43. Muito Barulho Por Nada -William Shakespeare
44. Júlio César -William Shakespeare
45. Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
46. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
47. Cancioneiro -Fernando Pessoa
48. Catálogo de Autores Brasileiros com a Obra em Domínio Público -Fundação Biblioteca Nacional
49. A Ela -Machado de Assis
50. O Banqueiro Anarquista -Fernando Pessoa
51. Dom Casmurro -Machado de Assis
52. A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
53. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
54. Adão e Eva -Machado de Assis
55. A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
56. A Chinela Turca -Machado de Assis
57. As Alegres Senhoras de Windsor -William Shakespeare
58. Poemas Selecionados -Florbela Espanca
59. As Vítimas-Algozes -Joaquim Manuel de Macedo
60. Iracema -José de Alencar
61. A Mão e a Luva -Machado de Assis
62. Ricardo III -William Shakespeare
63. O Alienista -Machado de Assis
64. Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa
65. A Volta ao Mundo em 80 Dias -Júlio Verne
66. A Carteira -Machado de Assis
67. Primeiro Fausto -Fernando Pessoa
68. Senhora -José de Alencar
69. A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
70. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
71. A Mensageira das Violetas -Florbela Espanca
72. Sonetos -Luís Vaz de Camões
73. Eu e Outras Poesias -Augusto dos Anjos
74. Fausto -Johann Wolfgang von Goethe
75. Iracema -José de Alencar
76. Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
77. Os Maias -José Maria Eça de Queirós
78. O Guarani -José de Alencar
79. A Mulher de Preto -Machado de Assis
80. A Desobediência Civil -Henry David Thoreau
81. A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
82. A Pianista -Machado de Assis
83. Poemas em Inglês -Fernando Pessoa
84. A Igreja do Diabo -Machado de Assis
85. A Herança -Machado de Assis
86. A chave -Machado de Assis
87. Eu -Augusto dos Anjos
88. As Primaveras -Casimiro de Abreu
89. A Desejada das Gentes -Machado de Assis
90. Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
91. Quincas Borba -Machado de Assis
92. A Segunda Vida -Machado de Assis
93. Os Sertões -Euclides da Cunha
94. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
95. O Alienista -Machado de Assis
96. Don Quixote. Vol. 1 -Miguel de Cervantes Saavedra
97. Medida Por Medida -William Shakespeare
98. Os Dois Cavalheiros de Verona -William Shakespeare
99. A Alma do Lázaro -José de Alencar
100. A Vida Eterna -Machado de Assis
101. A Causa Secreta -Machado de Assis
102. 14 de Julho na Roça -Raul Pompéia
103. Divina Comedia -Dante Alighieri
104. O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
105. Coriolano -William Shakespeare
106. Astúcias de Marido -Machado de Assis
107. Senhora -José de Alencar
108. Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
109. Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
110. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
111. A 'Não-me-toques' ! -Artur Azevedo
112. Os Maias -José Maria Eça de Queirós
113. Obras Seletas -Rui Barbosa
114. A Mão e a Luva -Machado de Assis
115. Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
116. Aurora sem Dia -Machado de Assis
117. Édipo-Rei -Sófocles
118. O Abolicionismo -Joaquim Nabuco
119. Pai Contra Mãe -Machado de Assis
120. O Cortiço -Aluísio de Azevedo
121. Tito Andrônico -William Shakespeare
122. Adão e Eva -Machado de Assis
123. Os Sertões -Euclides da Cunha
124. Esaú e Jacó -Machado de Assis
125. Don Quixote -Miguel de Cervantes
126. Camões -Joaquim Nabuco
127. Antes que Cases -Machado de Assis
128. A melhor das noivas -Machado de Assis
129. Livro de Mágoas -Florbela Espanca
130. O Cortiço -Aluísio de Azevedo
131. A Relíquia -José Maria Eça de Queirós
132. Helena -Machado de Assis
133. Contos -José Maria Eça de Queirós
134. A Sereníssima República -Machado de Assis
135. Iliada -Homero
136. Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
137. A Brasileira de Prazins -Camilo Castelo Branco
138. Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
139. Sonetos e Outros Poemas -Manuel Maria de Barbosa du Bocage
140. Ficções do interlúdio: para além do outro oceano de Coelho Pacheco. -Fernando Pessoa
141. Anedota Pecuniária -Machado de Assis
142. A Carne -Júlio Ribeiro
143. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
144. Don Quijote -Miguel de Cervantes
145. A Volta ao Mundo em Oitenta Dias -Júlio Verne
146. A Semana -Machado de Assis
147. A viúva Sobral -Machado de Assis
148. A Princesa de Babilônia -Voltaire
149. O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
150. Catálogo de Publicações da Biblioteca Nacional -Fundação Biblioteca Nacional
151. Papéis Avulsos -Machado de Assis
152. Eterna Mágoa -Augusto dos Anjos
153. Cartas D'Amor -José Maria Eça de Queirós
154. O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
155. Anedota do Cabriolet -Machado de Assis
156. Canção do Exílio -Antônio Gonçalves Dias
157. A Desejada das Gentes -Machado de Assis
158. A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
159. Don Quixote. Vol. 2 -Miguel de Cervantes Saavedra
160. Almas Agradecidas -Machado de Assis
161. Cartas D'Amor - O Efêmero Feminino -José Maria Eça de Queirós
162. Contos Fluminenses -Machado de Assis
163. Odisséia -Homero
164. Quincas Borba -Machado de Assis
165. A Mulher de Preto -Machado de Assis
166. Balas de Estalo -Machado de Assis
167. A Senhora do Galvão -Machado de Assis
168. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
169. A Inglezinha Barcelos -Machado de Assis
170. Capítulos de História Colonial (1500-1800) -João Capistrano de Abreu
171. CHARNECA EM FLOR -Florbela Espanca
172. Cinco Minutos -José de Alencar
173. Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
174. Lucíola - José de Alencar
175. A Parasita Azul -Machado de Assis
176. A Viuvinha -José de Alencar
177. Utopia -Thomas Morus
178. Missa do Galo -Machado de Assis
179. Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
180. História da Literatura Brasileira: Fatores da Literatura Brasileira -Sílvio Romero
181. Hamlet -William Shakespeare
182. A Ama-Seca -Artur Azevedo
183. O Espelho -Machado de Assis
184. Helena -Machado de Assis
185. As Academias de Sião -Machado de Assis
186. A Carne -Júlio Ribeiro
187. A Ilustre Casa de Ramires -José Maria Eça de Queirós
188. Como e Por Que Sou Romancista -José de Alencar
189. Antes da Missa -Machado de Assis
190. A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
191. A Carta -Pero Vaz de Caminha
192. LIVRO DE SÓROR SAUDADE -Florbela Espanca
193. A mulher Pálida -Machado de Assis
194. Americanas -Machado de Assis
195. Cândido -Voltaire
196. Viagens de Gulliver -Jonathan Swift
197. El Arte de la Guerra -Sun Tzu
198. Conto de Escola -Machado de Assis
199. Redondilhas -Luís Vaz de Camões
200. Iluminuras -Arthur Rimbaud
201. Schopenhauer -Thomas Mann
202. Carolina -Casimiro de Abreu
203. A esfinge sem segredo -Oscar Wilde
204. Carta de Pero Vaz de Caminha. -Pero Vaz de Caminha
205. Memorial de Aires -Machado de Assis
206. Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
207. A última receita -Machado de Assis
208. 7 Canções -Salomão Rovedo
209. Antologia -Antero de Quental
210. O Alienista -Machado de Assis
211. Outras Poesias -Augusto dos Anjos
212. Alma Inquieta -Olavo Bilac
213. A Dança dos Ossos -Bernardo Guimarães
214. A Semana -Machado de Assis
215. Diário Íntimo -Afonso Henriques de Lima Barreto
216. A Casadinha de Fresco -Artur Azevedo
217. Esaú e Jacó -Machado de Assis
218. Canções e Elegias -Luís Vaz de Camões
219. História da Literatura Brasileira -José Veríssimo Dias de Matos
220. A mágoa do Infeliz Cosme -Machado de Assis
221. Seleção de Obras Poéticas -Gregório de Matos
222. Contos de Lima Barreto -Afonso Henriques de Lima Barreto
223. Farsa de Inês Pereira -Gil Vicente
224. A Condessa Vésper -Aluísio de Azevedo
225. Confissões de uma Viúva -Machado de Assis
226. As Bodas de Luís Duarte -Machado de Assis
227. O LIVRO D'ELE -Florbela Espanca
228. O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
229. A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
230. Lira dos Vinte Anos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
231. A Orgia dos Duendes -Bernardo Guimarães
232. Kamasutra -Mallanâga Vâtsyâyana
233. Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
234. A Bela Madame Vargas -João do Rio
235. Uma Estação no Inferno -Arthur Rimbaud
236. Cinco Mulheres -Machado de Assis
237. A Confissão de Lúcio -Mário de Sá-Carneiro
238. O Cortiço -Aluísio Azevedo
239. RELIQUIAE -Florbela Espanca
240. Minha formação -Joaquim Nabuco
241. A Conselho do Marido -Artur Azevedo
242. Auto da Alma -Gil Vicente
243. 345 -Artur Azevedo
244. O Dicionário -Machado de Assis
245. Contos Gauchescos -João Simões Lopes Neto
246. A idéia do Ezequiel Maia -Machado de Assis
247. AMOR COM AMOR SE PAGA -França Júnior
248. Cinco minutos -José de Alencar
249. Lucíola -José de Alencar
250. Aos Vinte Anos -Aluísio de Azevedo
251. A Poesia Interminável -João da Cruz e Sousa
252. A Alegria da Revolução -Ken Knab
253. O Ateneu -Raul Pompéia
254. O Homem que Sabia Javanês e Outros Contos -Afonso Henriques de Lima Barreto
255. Ayres e Vergueiro -Machado de Assis
256. A Campanha Abolicionista -José Carlos do Patrocínio
257. Noite de Almirante -Machado de Assis
258. O Sertanejo -José de Alencar
259. A Conquista -Coelho Neto
260. Casa Velha -Machado de Assis
261. O Enfermeiro -Machado de Assis
262. O Livro de Cesário Verde -José Joaquim Cesário Verde
263. Casa de Pensão -Aluísio de Azevedo
264. A Luneta Mágica -Joaquim Manuel de Macedo
265. Poemas -Safo
266. A Viuvinha -José de Alencar
267. Coisas que Só Eu Sei -Camilo Castelo Branco
268. Contos para Velhos -Olavo Bilac
269. Ulysses -James Joyce
270. 13 Oktobro 1582 -Luiz Ferreira Portella Filho
271. Cícero -Plutarco
272. Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
273. Confissões de uma Viúva Moça -Machado de Assis
274. As Religiões no Rio -João do Rio
275. Várias Histórias -Machado de Assis
276. A Arrábida -Vania Ribas Ulbricht
277. Bons Dias -Machado de Assis
278. O Elixir da Longa Vida -Honoré de Balzac
279. A Capital Federal -Artur Azevedo
280. A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
281. As Forças Caudinas -Machado de Assis
282. Coração, Cabeça e Estômago -Camilo Castelo Branco
283. Balas de Estalo -Machado de Assis
284. AS VIAGENS -Olavo Bilac
285. Antigonas -Sofócles
286. A Dívida -Artur Azevedo
287. Sermão da Sexagésima -Pe. Antônio Vieira
288. Uns Braços -Machado de Assis
289. Ubirajara -José de Alencar
290. Poética -Aristóteles
291. Bom Crioulo -Adolfo Ferreira Caminha
292. A Cruz Mutilada -Vania Ribas Ulbricht
293. Antes da Rocha Tapéia -Machado de Assis
294. Poemas Irônicos, Venenosos e Sarcásticos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
295. Histórias da Meia-Noite -Machado de Assis
296. Via-Láctea -Olavo Bilac
297. O Mulato -Aluísio de Azevedo
298. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
299. Os Escravos -Antônio Frederico de Castro Alves
300. A Pata da Gazela -José de Alencar
301. BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA -Alcântara Machado
302. Vozes d'África -Antônio Frederico de Castro Alves
303. Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
304. O que é o Casamento? -José de Alencar
305. A Harpa do Crente -Vania Ribas Ulbricht 

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Tocar, Cheirar, Provar e Ouvir as Cores

SANTOS, Jorge Fernando dos.As cores do mundo de Lúcia. Ilustrações de Denise Nascimento. São Paulo, Paulus, 2010. 48p.

Adultos muitas vezes têm olhos distraídos. E o mistério do ver não se restringe unicamente à visão. Há coisas que só se pode ver plenamente quando entram em ação os outros sentidos.

Pois neste livro vamos encontrar um universo bastante particular. A história não é necessariamente uma narrativa focada em um conflito básico, com uma progressão de ações causadas por alguma atitude tomada pela personagem principal. Não. O livro se desenvolve, para mostrar a vida de Lúcia, para descrevê-la, para exemplificar como ela, sendo cega, desvenda o mistério e a natureza das cores. Aliás, ela conhecia as cores como ninguém! Aliás, o nome Lúcia significa luminosa, iluminada, nascida com a primeira luz, informação esta que abre o livro. E que serve de base para tudo o que vem depois.

Portanto, o narrador, que é uma voz adulta, e observa a menina, conta como Lúcia descobriu as particularidades de cada uma das cores: tocando, sentindo o gosto, o cheiro, a temperatura, as texturas e ouvindo o som delas. O livro começa com a cor branca, e na sequência, mostra as descobertas da menina para o verde, o azul, o vermelho, o amarelo, o rosa e o negro. Nestes desvendamentos, reforça a esperteza e a imaginação de Lúcia e atribui à fazenda dos avós paternos, o status de lugar de destaque no imaginário da menina.

Mas é a descoberta da sua própria cor o momento mais precioso do livro! Nas investigações sobre as cores das rosas, Lúcia descobre a si mesma. Toca seu corpo, seu rosto, prova o negro das jabuticabas e se maravilha com a única cor que seus olhos podiam ver. É emocionante!

As ilustrações são uma profusão de cores. E de texturas. E de ângulos de visão. E de movimentos. O leitor é capaz de sentir a presença do vento soprando nos cenários da história. E as cores, parecem muito mais vibrantes, muito contrastantes, nos desenhos de grandes proporções, salpicados de uma felicidade que escorre das páginas! Denise Nascimento, a ilustradora tem essas peculiaridades na composição das cenas. E talvez, por isso mesmo, já tenha até exposto seus trabalhos na Bienal de Ilustrações de Bratislava, na Eslováquia.

O autor tem muitos livros publicados e foi ganhador do selo “Altamente Recomendável”, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, em 2006, com a obra ABC DA MPB. Também é compositor, jornalista e autor de várias peças teatrais.

A editora caprichou na edição, em formato comprido, com texto bem distribuído nas paginas e com orelhas largas. O uso de cor na parte interna das capas dá uma enorme elegância ao livro. E um objeto-livro bonito, como esse, todo leitor quer ter em suas prateleiras!