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quinta-feira, 29 de março de 2012

Um David contra cem Golias: os desafios dos índios awá na Colômbia e no Equador

Indígena awá em Orito, no departamento de Putumayo (Colômbia). 

No norte do Equador e no sul da Colômbia, cercados por uma imponente vegetação, vivem os awás, uma comunidade indígena de 70 mil habitantes que está à beira de um colapso por causa do interesse que sua rica floresta desperta. 


"Nós vivemos semeando nossa horta para sobreviver, colhendo frutos e caçando animais", lembra Juvencio Nastajuaz, pai de 7 filhos e líder da comunidade de Pambilar, uma das 22 que formam a Federação de Centros Awás do Equador (FCAE).


Sobre este povoado simples espreitam inúmeros interesses, pois os rios da região escondem ouro e em suas densas florestas madeiras como o sande e o chanul. "Elas [mineradoras] querem comprar nossas terras, mas não aceitamos. Oferecem dinheiro, mas sabemos que se vendermos tudo será destruído", revelou Nastajuaz.


A prova está 200 metros abaixo de sua comunidade, seguindo o curso das águas turvas do rio contaminadas pelas explorações de mineradoras ilegais. Nessa região, os moradores de um povoado afroequatoriano que vive às margens do rio precisam beber água engarrafada.


Sem outra ferramenta a não ser o instinto de sobrevivência e o afã de defender a natureza que muitos consideram sagrada, os awás combatem as mineradoras, os males endêmicos, como as doenças da floresta, a enorme falta de recursos e ainda os desastres naturais.


O presidente da Câmara Mineradora do Equador, Santiago Yépez, admitiu que "nestes rios corre, desde combustível a mercúrio, arsênico e outros componentes químicos que servem para separar o ouro e outros minerais das rochas".


"Uma enorme fonte de corrupção"
Segundo Yépez, os métodos extrativos usados pelas mineradoras ilegais são os motivos da poluição. A chanceler da Colômbia, María Ángela Holguín, reconheceu que a mineração ilegal é "um grave problema" na fronteira entre a Colômbia e o Equador, e "uma enorme fonte de corrupção". Em seu país vivem 66 mil awás, enquanto no Equador outros 4 mil, em um território ancestral divido entre os dois países.


A exploração dos recursos, especialmente da madeira, é feita geralmente por meio de  intermediários, encarregados de convencer os donos de terras para permitir a extração. "O intermediário convence os awás a venderem cinco árvores, por exemplo, e depois derrubam mais duas, que no momento de carregarem as cinco compradas aproveitam para roubar. Os compradores dizem aos indígenas que a madeira não é de boa qualidade e se aproveitam para atuar sem controle", relatou o dirigente awá Daniel Padre.


Além disso, eles usam das necessidades dos índios para conseguir acesso ao seu território, relatam os habitantes da região. “O processo é simples. Os intermediários dão dinheiro e os levavam de carro a partir de San Lorenzo (único centro urbano da região) e dessa forma os convenciam aos poucos.


Em alguns casos, pagam antecipado para que pudessem deixar a vila carregando comida, detalhou o professor Efrén Álvarez, da comunidade de Guadualito, na fronteira com a Colômbia. "Desta maneira, os intermediários pagam US$ 40 por uma árvore que, no mercado, podem negociar entre US$ 200 e US$ 300", apontou Padre.


Plantio de palmito
Esse dinheiro é somente para as necessidades mais imediatas. "Aqui não há nada, só uma escola. Quando alguém fica doente precisamos levar até San Lorenzo e a viagem custa US$ 50", contou Nastajuaz, quem reconheceu que, em certas ocasiões, se veem obrigados a vender "alguma madeira" para conseguir dinheiro.


A poda ilegal faz com que tão somente 6% do Chocó, uma área de alta biodiversidade, reste intocado no Equador e a floresta está sendo substituída pela palmicultura.
"Hoje não existem muitos animais para caçar, ainda é possível achar algum periquito ou tatu. Os animais desapareceram em parte por causa das plantações de palmitos. Já não temos quase floresta", denunciou Alirio Cantincuz, de 35 anos e habitante de Guadualito, uma comunidade que está cercada em 60% por áreas cultivadas com palmito.


"O palmito é um negócio redondo, um bem de consumo em massa. Mas o palmito exige mudança na paisagem, corte, queima e inclusive é preciso nivelar o terreno se o mesmo for irregular ou tiver colinas. Os habitantes da comunidade passam a ser basicamente trabalhadores, não os donos dos recursos", descreveu o biólogo da Universidade San Francisco de Quito Diego Cisneros.


Os moradores de Guadualito se queixam que os palmicultores contaminam as águas de seus rios quando aplicam defensivos nas plantações e lavam seus equipamentos na água.


Por causa disso, alguns dos 130 habitantes, que sobrevivem plantando cacau e mandioca e da extração de madeira, queixam-se de dores de estômago e manchas na pele que acreditam seja consequência da água contaminada do rio que os abasteceu a vida toda.


Doenças que se somam a outras típicas da selva, como a malária e a leishmaniose, causada por insetos que põem larvas na pele que atacam o sistema de defesa do organismo.


"Aqui as pessoas sofrem muito por falta de médicos, existem farmácias, mas estas não são bem equipadas", ressaltou Ludibia Ramírez, uma promotora de saúde colombiana que teve de fugir de seu país com os três filhos após os ataques paramilitares e atualmente trabalha como cozinheira em uma escola de Guadualito.


Sua história é um exemplo do grande poder exercido na região pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o narcotráfico no sul colombiano e sua influência no norte do Equador, o que também afeta os awás.


"Há um controle muito forte na Colômbia por parte das Farc, que condiciona o comportamento nas comunidades. Ninguém pode atuar sem seu consentimento", relatou o presidente da FCAE, Manuel Taicus, em referência as aldeias awás localizadas na Colômbia.


Coca, um negócio rentável
"Em Guadualito, há poucos anos muitos habitantes cruzavam a fronteira para cultivar coca, um negócio rentável até que as guerrilhas extorquiram os awás do Equador e estes abandonaram os campos", apontou Álvarez.


Os awás inclusive sofrem por culpa dos grandes projetos em prol do progresso, como a construção de uma hidrelétrica em um rio próximo a comunidade do Baboso, o que tem gerado graves desavenças entre os 230 habitantes.


"Os que foram trabalhar na hidrelétrica acabaram descuidando de suas terras. Isso acabou minando o sentimento de comunidade e a parte organizacional", advertiu Amilkar Guangua, professor e secretário do vilarejo de Baboso.
Além do conflito pela hidrelétrica, Baboso enfrenta a realocação de quase todo o povoado, devido a um deslizamento de terra que no ano passado engoliu uma casa. Apesar da destruição ninguém morreu.


No meio deste compêndio de ameaças, os awás tentam manter sua cultura de grande amor à natureza. "As plantas, a água, as pedras, que vulgarmente para Ocidente são seres inertes, para os awás têm vida. Esta relação com o homem e a natureza nos permitiu viver com honestidade e solidariedade", explicou Taicus.


É uma crença sustentada em práticas como a cura do chutún, um mal que se adquire "por beber água suja de pântanos" ou "comer frutas caídas das árvores", detalhou Taicus.


“A doença é curada com um banho durante três dias seguidos com uma mistura feita com mais de 30 plantas, que culmina com a lavagem feita pelo curandeiro. Tradições como esta correm o risco de desaparecer diante do desapego dos jovens pelas práticas ancestrais e a perda do awapit, a língua de um povo que está rodeado por cem Golias.


Fonte: notícias yahoo

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Na França, empresas cobrirão gasto de bicicleta para funcionários

DA EFE



O governo francês anunciou nesta quinta-feira uma iniciativa para estimular o uso da bicicleta. A principal medida é o financiamento pelas empresas das despesas de transporte dos funcionários que a adotarem. Em troca, serão garantidas isenções.
O ministro dos Transportes, Thierry Mariani, informou que o sistema é similar ao existente na Bélgica. Naquele país, paga-se 21 centavos de euro por quilômetro rodado.
Benoit Tessier/Reuters
O governo parisiense foi um dos primeiros a incentivar a adoção de bicicletas como transporte; acima, ponto de aluguel
O governo parisiense foi um dos primeiros a incentivar a adoção de bicicletas como transporte; acima, ponto de aluguel
A norma, apresentada em Paris, é resultado de um estudo encomendado pelo Executivo ao deputado conservador e prefeito do 15º distrito de Paris, Philippe Goujon.
No jornal "Le Figaro", Goujon estimou em 20 milhões de euros o custo do Estado para indenizar por quilômetro as 2 milhões de pessoas que vão de bicicleta ao trabalho. Na França, o percurso médio é de 5 km.
Em entrevista ao jornal "Metro", Mariani indicou que outras medidas serão estudadas, como modificar a norma de circulação para permitir que os ciclistas avancem o semáforo vermelho quando virarem à direita, marcar as bicicletas com código para combater os roubos e construir mais ciclovias.
O ministro destacou que na França a utilização desse meio de transporte permite economizar 5,6 bilhões de euros pelos benefícios que proporciona à saúde das pessoas, além de limitar os gases poluentes.
Para Mariani, se cada europeu pedalasse 2,6 quilômetros por dia ao invés de usar um carro, haveria uma redução no transporte em torno de 15% das emissões de CO2, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global.

Fonte: Folha de SP

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Campanha do WWF 'esconde' espécies ameaçadas em floresta

DA BBC BRASIL

A organização ambientalista WWF lançou uma nova campanha publicitária na França na qual animais de espécies ameaçadas aparecem camuflados em uma floresta tropical.
O observador precisa encontrar os animais escondidos em meio à folhagem, como se fossem esculturas feitas com as plantas.
Caters
Campanha publicitária da WWF na França mostra floresta tropical em que espécies ameaçadas como pantera....
Campanha publicitária da WWF na França mostra floresta tropical em que espécies ameaçadas como pantera....
Caters
...e tucano estão escondidos, como mostra a figura acima que indica a posição de todos os bichos
(articleGraphicCaption)....e tucano estão escondidos, como mostra a figura acima que indica a posição de todos os bichos
Os animais camuflados na imagem são um elefante, um coala com um filhote nas costas, uma pantera, uma preguiça, um orangotango, um tigre, um tucano, um crocodilo, uma iguana, um chimpanzé, um papagaio, um javali e uma jiboia.
Eles estão escondidos de várias formas: um tronco de uma árvore pode ser um dos animais, uma folhagem com detalhes pode ser outro.
Os cartazes fazem parte de uma campanha da WWF que alerta para os danos causados pelo desmatamento e visa levar o público a refletir sobre o número de animais que podem ser extintos se o desmatamento continuar.
As imagens foram espalhadas no sistema de metrô de Paris e também publicadas na revista Lonely Planet.
Uma das criadoras da campanha, Marine Garcia, da agência Marcel, afirmou que quatro artistas trabalharam meticulosamente no cartaz para tentar esconder os animais sem fazer com que seus contornos se perdessem totalmente, para que o público tivesse que se esforçar para vê-los.
"O objetivo deste cartaz é fazer com que as pessoas saibam que o desmatamento não mata apenas árvores, está matando a vida selvagem também. Os animais estão escondidos pois, em breve, podemos não vê-los mais", afirmou.

Fonte: Folha de SP

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Poluição de rio na China leva população a estocar água

DA REUTERS, EM HONG KONG



Residentes de uma cidade no sul da China correram para comprar água potável depois que níveis excessivos de cádmio carcinogênico foram encontrados na fonte de um rio que abastece o local, relatou a mídia estatal nesta quinta-feira, no mais recente escândalo de saúde a atingir o país.
A poluição dos córregos por resíduos tóxicos de fábricas e fazendas é um problema grave na China, levando as autoridades a clamar por políticas que exijam a eliminação da poluição por metais pesados, embora o problema não mostre sinais de estar sendo solucionado.
Os níveis de cádmio no rio Longjiang, na região autônoma de Guangxi Zhuang, chegaram a três vezes o limite oficial na quarta-feira, afirma a agência estatal de notícias Xinhua, apontando como responsável uma mineradora.
Níveis excessivos de cádmio foram detectados no último domingo, disse a agência, acrescentando que as autoridades injetaram no rio 80 toneladas de cloreto de alumínio, um agente neutralizante, em uma tentativa de eliminar o fator de risco.
A China fechou uma indústria química na província central de Hunan em 2009 depois que os moradores protestaram contra a poluição de cádmio, que matou duas pessoas e afetou centenas de outras.
Apesar das promessas frequentes de Pequim de reduzir a poluição, autoridades locais com frequência colocam o crescimento econômico, a renda e a criação de empregos acima das preocupações ambientais.

Fonte: Folha de SP

domingo, 29 de janeiro de 2012

Fórum social em Porto Alegre (RS) prioriza temas ambientais



DA AGÊNCIA BRASIL


O primeiro dia de debates promovidos pelo Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS), deverá priorizar discussões sobre a Rio+20 --a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável que acontece em junho no Rio.
Outro destaque é a mesa "Construindo Cidades Sustentáveis" com a participação de nomes como Boaventura de Souza Santos, Frei Betto, Jorge Abrahão, Leonardo Boff, Marina Silva e Oded Grajew.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, também cumpre agenda nesta quarta-feira na capital gaúcha.
Além da Rio+20, ela deve tratar, durante o fórum, de temas que incluem o novo Código Florestal e cidades sustentáveis.
Na quinta-feira, está prevista a participação da presidente Dilma Rousseff no evento, que acontece paralelamente ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Salve o planeta: Dicas para você ajudar a cuidar do meio ambiente





A ecologia deixou há muito tempo de ser um conceito abordado apenas por cientistas. Há décadas a mídia se dedica a divulgar ideias ecologicamente corretas, empresas e governos estão tentando adotar práticas menos agressivas ao meio ambiente, ou que compensem suas agressões inevitáveis.

Qualidade de vida é o que todos querem, com um ar mais limpo para respirar, menos calor, ruas livres de lixo, espaços verdes nas cidades para o lazer.

No seu dia a dia, nas ruas, em casa e no trabalho, você também pode ajudar a preservar o meio ambiente e tornar a vida no planeta mais agradável. Veja algumas de nossas dicas e coloque em prática aquilo que for possível, lembrando sempre que nossas ações afetam todo o mundo. E que seja para melhor!

O que você pode fazer na rua:

1 - Quando for comprar um carro, escolha sempre os modelos que atendem as suas necessidades, sem exageros. Quanto maior o carro, mais ele consome, polui e faz você gastar. Mesmo com a alta nos preços, tente sempre que possível abastecer com etanol;

2 - A manutenção do seu carro deve sempre estar em dia. Trocar o óleo, filtro de óleo e de ar no prazo correto ajuda a liberar menos CO2 no ar;

3 - Infelizmente o carro não é o meio de transporte mais correto do ponto de vista ambiental. Então, anime-se novamente a andar a pé ou de bicicleta, e saia com o carro apenas quando for indispensável;

4 - Dê carona para as pessoas que fariam o mesmo trajeto que o seu;

5 - Regra básica: não jogue lixo nas ruas. Essa atitude tão simples deixará a cidade mais bonita e agradável, e evitará as enchentes por causa dos bueiros entupidos.

Como ser mais sustentável em casa

1 - Não deixe nenhum aparelho em stand by, eles consomem energia mesmo assim. O certo é tirar tudo da tomada para economizar energia e na conta do mês;

2 - Sempre escolha os eletrodomésticos mais eficientes do ponto de vista de consumo de energia. Observe se eles têm o selo do Procel;

3 - Evite acender lâmpadas durante o dia. Prefira abrir, portas, janelas, persianas e cortinas para deixar a luz natural entrar na sua casa;

4 - Nunca coloque o freezer ou a geladeira ao lado do fogão ou em lugares onde bate sol. Eles acabam consumindo mais energia para compensar o ganho de temperatura;

5 - Troque as lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes. Elas consomem menos energia e duram muito mais tempo;

6 - Não use a secadora para secar roupas, prefira o bom e tradicional varal. E nem pense em pendurar roupas e panos para secar atrás da geladeira. Esse hábito antigo aumenta o consumo de energia;

7 - Usar a mangueira como se fosse vassoura para empurrar a sujeira é algo totalmente fora de moda. Use a vassoura para varrer a calçada, recolha a sujeira com uma pá e somente depois molhe o chão com água;

8 - Sempre procure administrar seus gastos. O consumo excessivo gera muito mais lixo do que os aterros das cidades podem suportar. Procure pensar no destino que será dado para o seu lixo, quando comprar algo;

9 - Instale um purificador de água na torneira da pia da sua cozinha e aposente os galões. Muito combustível é gasto para transportá-los até a sua casa;

10 - Separe todo o lixo que pode ser reciclado, dos orgânicos, assim você ajuda a diminuir a quantidade de lixo dos aterros;

11 - Prefira consumir produtos que foram produzidos localmente. O transporte de produtos aumenta a poluição do ar e o consumo de combustível.

Como ter atitudes sustentáveis no trabalho

1 - Se puder, prefira ter um notebook do que um computador de mesa. Ele consome menos energia;

2 - Evite o deslocamento para ir a reuniões que podem ser feitas por telefone ou programas on-line;

3 - Leve de casa sua própria caneca e deixe de consumir copos de plástico para a água e o café;

4 - Use papel reciclado, que é produzido pensando no uso racional dos recursos naturais. Economize papel o quanto puder;

5 - Se sua empresa ainda não encaminha o lixo para a reciclagem, incentive-a a fazer isso. Dê ideias construtivas para que ela também possa colaborar com o meio ambiente. Seus colegas gostarão dessa atitude.

Fonte:
- Manual de Etiqueta - Planeta Sustentável
- 360graus